Rivaldo Chinem

Biografia

Nasceu em 1952 em Itariri, Vale do Ribeira, Estado de São Paulo
Jornalista formado pela Faculdade de Comunicação de Santos, na turma de 1974
Começou a trabalhar em jornal no diário “Cidade de Santos” do grupo Folha, aos 19 anos, em 1972
Escreve no Portal Megabrasil (www.megabrasil.com.br) e no blog
www.memoriasdetemposvividos.blogspot.com.br
Trabalhou como repórter na Folha de S. Paulo, revista Veja, jornal O Estado de S. Paulo, colaborou na imprensa alternativa (Opinião, Movimento, Versus e Repórter); editou o jornalismo da TV Gazeta, da rádio Tupi e apresentou o programa “Imprensa e Comunicação em Debate” na rádio Bandeirantes.
Foi colunista da Agência Estado com “Leitura do empresário” e, na Internet, do site Topnegócios, Portal Terra, com “Marketing Empresarial”.
Prestou assessoria de comunicação para multinacionais, associações de classe, empresários, políticos em São Paulo e em Brasília, governo e embaixada.
Ministrou cursos de comunicação na Aberje, Sebrae, ADVB e Universidade de São Paulo (USP), sobre como se relacionar melhor com a mídia e sobre assessoria de imprensa na pós-graduação das Faculdades Metodista de Piracicaba e no Cogeae/PUC-SP.
Blog:www.memoriasdetemposvividos.blogspot.com.br


Obras:

“Terror Policial” com Tim Lopes (Global)
“Sentença – Padres e Posseiros do Araguaia” (Paz e Terra)
“Imprensa Alternativa – Jornalismo de Oposição e Inovação” (Ática)
“Marketing e Divulgação da Pequena Empresa” (Senac) na 5ª. edição
“Assessoria de Imprensa – como fazer” (Summus) na 3ª. edição
“Jornalismo de Guerrilha – a imprensa alternativa brasileira da censura à Internet” (editora Disal)
“Comunicação empresarial – teoria e o dia-a-dia das Assessorias de Comunicação” , editora Horizonte
“Introdução à comunicação empresarial” (editora Saraiva)
“Comunicação Corporativa” (editora Escala com prefácio de Heródoto Barbeiro)
“Comunicação Empresarial – uma nova visão da empresa moderna” (Discovery Publicações)
“Como falar bem em público" (Discovery Publicações)
"Os líderes do Brasil, Presidentes da República" (Discovery Publicações)
"Golpe dentro do golpe, 1968" (Discovery Publicações)
“1984, o ano das diretas” (Discovery Publicações)
"101 reflexões para evitar que sua empresa entre em crise” (editora Ideias e Letras).


Textos:

Minha primeira lembrança

Nunca tive certeza de minha primeira lembrança de vida. Se tivesse de ganhar a vida com data exata dos acontecimentos estaria estendendo a mão para pedir alguns trocados.

Sei que há pessoas que fazem isso muito bem: sabem o que aconteceu tal fato, lembra detalhes, mas não é o meu caso. As lembranças aparecem fragmentadas. São trechos mais propriamente do que um filme inteiro a ser contado. Lembro, por exemplo, de admirar um primo meu, Carlinhos, a quem tinha amizade e muito amor. Lembro que ele amava meu avô. Tanto que chorou até passar mal quando vovô nos deixou. Disse a ele, não chora, ele não é seu pai. Dois ou três meses depois disso Carlinhos nos deixou. Foi embora não sei com quantos anos de idade, talvez 5 anos, devia ter a mesma idade que eu ou meus irmãos, todos com diferença de 2 anos, verdadeira escadinha de gente. Uma vez estava correndo na escola e alguém pôs o pé na frente, caí e desmaiei. Foi o meu primeiro desmaio, aos 10 anos de idade. O segundo só viria a acontecer 50 anos mais tarde, algo que me deixou apavorado, mas foi somente um susto. Ainda bem.

Outra lembrança que vem à mente é com a amizade com outro avô, Higa, que aportou por aqui no Brasil vindo na primeira leva de imigrantes japoneses, o navio Kassatu Maru. Já faz parte da história das migrações, afinal ele veio em 1908. E por que sei disso? Ora, porque poucos estrangeiros vieram para cá, a não ser os negros caçados a laço na África. Foi para substituir esta mão de obra escrava que o governo brasileiro passou a permitir a vinda de estrangeiros para trabalhar em nossa lavoura. No caso dos meus avós, eles vieram para trabalhar na colheita do café. Meu avô sabia dirigir automóveis e trabalhou para uma figura que viria a ser presidente da República – só que nesta época ele já estava colhendo suas orquídeas em seu sítio na cidade de Pedro de Toledo, no Vale do Ribeira.

A convivência com meu avô Higa é uma das minhas doces lembranças da infância. Tinha 5, 10, 12 anos, não lembro. Tenho tudo guardado na memória, quase não há registro fotográfico. Para conseguir fotografias de vovô na comemoração do centenário da imigração em 2008 tive de recorrer às minhas primas.

A cada dia as lembranças se vão, principalmente quando tento conferir dados com pessoas mais antigas e com melhor memória do que eu. Alguns dados não batem. Vou ficar como aquele aluno que tinha lembrança doce da professorinha que lhe ensinou o beabá, nunca quis reencontrá-la com medo de ver uma senhora totalmente irreconhecível, diferente de sua memória. Na falta de dados precisos costuma-se inventar, só que como não sou ficcionista nem novelista só me resta rascunhar tudo isso e deixar de lado para quem sabe um dia fazer o quê.